VALOR DE MERCADO   VS   VALOR INTRÍNSECO

O problema mais importante referente à nossa sobrevivência material é dar um preço correto às coisas.  É o mais importante porque se você utilizar um valor incorreto, você estará gerando uma injustiça ao seu redor que poderia prejudicá-lo no longo prazo.

O que normalmente as pessoas acreditam é que o valor das coisas é determinado pelo que o mercado informa.  Isto em princípio é correto quando se está em um ambiente de muitíssimos compradores (consumidores) e muitíssimos vendedores (produtores) e toda nova informação é absorvida por igual para todos.  A tendência é encontrar um preço comum em que compradores e vendedores estejam satisfeitos.  A isso chamamos de Preço de Mercado.

Uma distorção começa a se formar se a coisa a ser vendida tem poucos compradores ou no pior dos casos um só comprador.  Cada comprador oferecerá um preço em função de suas necessidades e conveniências, originando-se uma variedade de preços.  Para solucionar esse problema é só vender pela melhor oferta, um leilão!  Mas será possível que exista um preço que dependa só do potencial do bem que está sendo vendido e não dos compradores?  Claro que deve existir!  E esse valor pode ser chamado de Preço Intrínseco.  Se concordar está bem.  Mas se você não concordar é só dar um exemplo que demonstre o contrário.  Nós vamos demonstrar a existência desse Preço Intrínseco.

Iniciemos a estória dizendo que para sobreviver você precisa comer.  Isso obriga você a comprar comida.  Ao comprar comida você a troca por um valor em dinheiro.  Em qual quantidade?  Normalmente com base em um preço justo de troca.

Agora para comprar essa comida você precisa arrumar dinheiro, ou seja, produzir riqueza.

Das riquezas fundamentais que o homem tem, CONHECIMENTO, TRABALHO e TERRA, se gera outra, o CAPITAL, que combinadas originam 16 grupos para produzir riqueza e 11 tipos de atividades bem definidas.  Esses tipos de atividades respondem por 10 formas de gerar ganhos.  Ou seja, de produzir dinheiro, riqueza.  Não explicaremos esses 16 grupos neste momento, por ser um tema a ser tratado com mais detalhes e em outro momento.

De um desses 11 tipos de atividades provém o salário.  Definir um salário dependerá de sua destreza em fazer esse ofício.  Se houver muitos fazendo esse trabalho provavelmente seu salário não será alto.  Se forem poucos os que fazem uma determinada especialidade, será normal que seu salário seja alto.  Se você é Pelé ou Lance Armstrong, no futebol ou ciclismo de estrada, será remunerado com um salário alto.  Se você é uma pessoa normal, provavelmente seu salário será suficiente para atender às suas necessidades e as de sua família.  Definir esses salários é definir um preço para cada salário.

Outro tipo de atividade que produz riqueza são os alugueis.  Definir o valor do aluguel de um determinado prédio é definir um preço.

Se continuarmos assim chegaremos sempre a confirmar que para conseguir algo material precisamos pagar um valor por ele.  É o preço.

No mundo material todas as coisas têm um preço.  O mundo seria ideal se todas as coisas tivessem seu preço justo.  Mas na realidade, os preços na maioria das vezes, estão distorcidos porque não existe um padrão ou uma entidade de regulação implacável.

A única conhecida ferramenta mágica, correta também, é a que tem base na oferta e na demanda que comentamos no começo.  O preço de um produto se equilibra num ponto em que os produtores e os consumidores estão dispostos a aceitar.  Aqui falamos de um produto que se produz em grandes quantidades, tem vários produtores, e um enorme número de consumidores.  É justo e é a regra natural do jogo.

Mas, o que acontece quando o produto é único e tem poucos compradores como é o caso de uma empresa a ser vendida?

A resposta muitas vezes é o Preço de Mercado.  Ou seja, o quanto um comprador estaria disposto a pagar e o quanto o vendedor estaria disposto a receber.  Neste caso quem leva é a melhor oferta!   Esse seria o preço.  Na verdade quem manda é o Preço de Mercado.  Foi assim, é assim e será sempre assim.  Mas, você acha que esse preço seria justo?

Antes de você responder a essa pergunta, vamos a reforçar e iluminar um pouco mais seus conhecimentos sobre este assunto.

Suponha que você é um marceneiro e vive de construir cadeiras.  Você constrói uma cadeira por mês, gastando R$8.  Para sustentar de forma normal a sua família você precisa de R$2, portanto você pretende e vende sua cadeira por R$10.  Se analisarmos todos os marceneiros da região, uma média provavelmente estará perto desse preço de R$10.

Se alguém achar que será difícil conseguir comprar uma cadeira nos próximos meses, provavelmente estará disposto a pagar um valor maior que os R$10, digamos que R$20.  Da mesma forma se alguém achar que vão sobrar cadeiras nos próximos meses, provavelmente oferecerá um valor menor que os R$10, suponhamos que R$7.

Os valores 7 e 20 são preços de mercado das cadeiras nesses momentos e dependeram das necessidades dos compradores e vendedores.  Esse preço é justo para eles, mas o valor 10 dessa cadeira construída por você é o preço justo, originado pela sua necessidade e de sua família para sobreviver.  Esse valor é gerado por si mesmo.  Não por pessoas estranhas às informações internas para a sua produção.  Esse valor é o Preço Intrínseco, e teria sentido considerá-lo como um preço verdadeiro.

Mas lembre agora que temos uma empresa para ser avaliada.  Contamos com todas as informações de vendas, custos, despesas, investimento, financiamento, uma lista de premissas fundamentais sobre a empresa e seu mercado de ação, e que com toda essa informação temos felizmente a tecnologia para calcular seu valor justo, ou seja, seu Preço Intrínseco, chamado em Finanças Corporativas como Preço Justo Esperado.  Suponha que atingimos o resultado de R$10 milhões (MM).

Se alguém oferecer entre R$7 e R$20 MM, e ela é negociada por um valor dentro dessa faixa, esse valor será o Preço de Mercado.  Mas nós saberemos que seu Preço Intrínseco é R$10 MM.

Agora sim, voltamos a nossa pergunta sobre se é justo utilizar o Preço de Mercado para definir o valor de uma empresa, ou melhor calcular seu Preço Intrínseco.

A resposta fica com você.........

 

____________________________________________________________________________________________________________________ 

Isaac Hayon Sasson é Engenheiro Mecânico, Executive MBA, especializado em Finanças Corporativas, e consultor nas áreas de avaliação de empresas, projetos de engenharia, construção de fábricas e recuperação de empresas.

E-mail :  isaach@sti.com.br   Portal :  www.valordeempresa.com

"Antigamente avaliar empresas era uma arte. Hoje é uma ciência bem definida"